Dia 28 – Pompeia – Roma

28º dia – 13.08.15

A nossa última tirada tinha como objectivo dois pontos principais – Nápoles e o Tivoli.

Bem dormidos e descansados do dia anterior, havia que nos precavermos de água pois , bem pela manhã, o dia prometia ser bem recheado de calor.

Foi talvez o dia mais complicado de toda a viagem, com temperaturas reais de 39º/40º, mas que devido ao tecto de nuvens apresentava uma sensação térmica de muito mais.

Em má hora, fizemos a ligação de Pompeia a Nápoles , pela SS18, passando por Herculano.
Não fora o trânsito e teria sido uma decisão acertada…mas o que encontramos foi um autentico caos, onde perdemos muito tempo.

Nápoles…é Nápoles e o nosso imaginário faz o resto.

Não posso deixar de referir que, contra todas as minhas expectativas, Nápoles nos surpreendeu pela positiva…quanto ao lixo.
Vimos muito mais lixo em Torre del Greco ou Herculano.
Contudo, não deixa de ser uma cidade portuária, desordenada, suja, escura, muito grafitada e mal conservada.
Há caos que têm algum encanto…mas este não.

Paramos a mota na praça da Igreja de Gesu Nuovo, bem perto da principal artéria da cidade velha, onde tudo acontece – Spaccanapoli.

Para lá da sua Duomo, Igreja San Domingos e Catacumbas, o momento alto aconteceu na pequena Capela-Museu de Sansevero, onde procurava algo muito especial – O Cristo Velado.

A capela é pequena e as entradas são muito bem controladas, bem como todo o interior.
A estátua encontra-se bem no centro da capela, muito bem guardada e resguardada, com o pedido bem expresso de que não são permitidas fotos.

Tenho visto algumas esculturas veladas (Prado, Louvre, D’Orsay, Veneza, etc), que muito aprecio mas, que me desculpem Corradini, Strazza ou Monti, que admiro, mas como este Cristo Velado, do escultor napolitano Giuseppe Sammartino,, nunca vi nada semelhante e que tanto me tocasse.

É duma beleza e perfeição que julgava impossível de transmitir numa estátua em mármore.
Só mesmo estando junto da estátua nos podemos aperceber de quão bela é, esta escultura sublime.

Para que não deixem de ter uma ideia desta maravilha, socorri-me de fotos tiradas na internet, já que o control policial era rigorosíssimo, algo que me custa aceitar com a perfusão da internet que hoje existe , porquê proibir uma recordação fotográfica? Opções.

Até ao Tivoli, bem perto de Roma, foi uma viagem assolada por muito calor, que nos obrigou a fazer várias paragens nas frescas áreas de serviço.
Itália em agosto…

Chegados ao Tivoli fomos direitinhos a Villa d’Este, o nosso principal objectivo, já que, dada a hora, não teríamos tempo para visitar todo o Tivoli, o que não foi mau de todo, pois assim temos uma boa desculpa para voltarmos a Roma e a esta Itália que adoramos.

Depois duma viagem como a que tivemos chegar a Villa d’Este…foi chegar ao paraíso.

Entrar no palácio e deixarmo-nos perder pelos seus jardins, com a frescura das suas fontes, foi algo de único.

Chegamos a Roma, fora de horas, com o nosso anfitrião a telefonar preocupado por ainda não termos feito o checkin, num local que recomendo – Gregory Place Fine Vatican Suites, que, como o nome indica, fica perto do Vaticano, tem umas instalações óptimas e uma relação preço/qualidade excelente.

O dia seguinte foi para revisitar a sempre linda e bela Roma, que, desta vez, teve uma visita ao interior do Coliseu, ao Palatino e Forum Romano.

o descanso da guerreira…

por pouco tempo…que a jornada era de muito trabalho

Não podíamos deixar de ir visitar e acompanhar as obras da Fonte Trevi onde conseguimos, desta vez, chegar montados na minha Musa…mesmo até junto da fonte, pela Via della Stamperia , 82. Um luxo.

A fonte estava linda e com as obras de limpeza e restauro quase prontas.
Na hora em que publico esta crónica já foram dadas por concluídas e a fonte livre das amarras dos taipais.
Mais uma desculpa para voltar…

Como sempre, o nosso almoço foi fabuloso, tendo guardado a tarde para deambularmos por Roma ao sabor do improviso e da recordação

O nosso jantar de despedida foi num belíssimo restaurante, bem perto do hotel, para mais tarde recordar.

No dia seguinte, a Graça partia de avião para Lisboa e eu ia até Civitavecchia, mentalizado para apanhar uma grande “seca” no ferry até Barcelona.

A caminho do aeroporto o tempo resolveu pregar-nos uma partida e desatou a chover desalmadamente, felizmente bem perto dum viaduto…

Cheguei cedo a Civitavecchia

Tinha descarregado para o iPad o Expresso e o Público, que me iriam a judar a passar as quase 24 h no barco, sem imaginar o que iria acontecer…

No meu quarto conheci o Raffa, motociclista espanhol, que por sua vez, me apresentou o Carlos, o Fernando, Javier e o Felix, tudo motociclistas espanhois que regressavam duma volta pela Croácia.

Estavam criadas as condições para uma noitada até de madrugada… o Expresso bem podia esperar para ser lido, talvez em Lagos, para onde me dirigia.

A conversa fluiu ao sabor das viagens, de motos e das peripécias próprias de quem viaja de mota.
Uma viagem de ferry predestinada a ser uma grande pasmaceira, foi palco de grande diversão e testemunha do nascer duma amizade que todos queremos manter.
Quem sabe, um dia, numa viagem todos juntos…continuemos a diversão. Ideias não faltam.

Fui com eles até Valência, de onde segui para Lagos, numa tirada … de quase 1000 km, que a pressa de chegar era muita.

A minha Musa puxou dos seus galões de estradista e presenteou-me com um gozo e um conforto, só ao alcance de algumas motas, chegando a Lagos pronto para dar inicio a uma nova viagem.
Esta Musa é TOP.

Não quero e não posso terminar esta crónica sem deixar umas palavras que são devidas.

Em primeiro lugar agradecer por existir e poder ver coisas tão bonitas, como aconteceu, mais uma vez, nesta viagem.

Em segundo lugar, agradecer à minha querida mulher e pendura – PenduGraça, por me acompanhar e por andar tão bem de mota, fazendo com que o gozo em andar de mota seja infinito e completo.
Obrigado pela forma como encaraste os momentos menos bons, por vezes duros com o calor que apanhamos e pela alegria que me deste em ter-te por companheira em mais uma viagem. Um privilégio.

Por último, uma palavra de agradecimento à tecnologia e à BMW, por ter produzido esta mota, esta Musa que tanto gozo me deu, que se portou à altura dos seus pergaminhos, suplantando tudo o que podia esperar. Verdadeiramente TOP.

Até um dia, num qualquer lugar desta nossa linda Europa, com a minha Musa ou outra mota qualquer, vivendo sempre este inexplicável e profundo gozo que é viajar de mota.

Até sempre!

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Dia 27 – Salerno – Pompeia

27º dia – 12.08.15

As imagens do temporal na Calábria, de onde tínhamos vindo e que passaram na televisão, são aterradoras e só temos a agradecer pela sorte que tivemos pois, apesar de tudo e com alguma sorte, conseguimos fazer tudo o que tínhamos planeado.

Despedimo-nos de Salerno a caminho da Costa Amalfitana, um desejo antigo que tinha e que nunca se tinha propiciado fazer.

Apesar de ir fazer a estrada no sentido sul-norte, estava com alguma curiosidade dada a grande publicidade de que esta costa é alvo.

Paisagisticamente, de facto, a estrada é muito bonita, ora alpendurada em penhascos maiores ou menores, ora nas encostas que correm até ao mar.
Casas e quintas nas encostas são uma constante, numa demonstração da força e da teimosia do homem, que me fez lembrar a nossa Madeira.

Mas…fujam dela nesta altura do ano.
Para a gozar minimamente, temos de nos forrar de paciência, mesmo para quem tem uma mota…e já conduz à italiana.

O tempo passa e os kms não avançam, numa estrada estreita e sinuosa, polvilhada de autocarros, que tornam o transito um autêntico caos infernal.
Tinha programado este dia com poucos kms para ter tempo de gozar a Costa Amalfi e ter a parte da tarde para ir a Pompeia.
Foi o que fizemos mas sem o gozo que tinha imaginado, até porque o calor não nos largava, bem “guardado” pelo tecto de nuvens que nos acompanhava. Fica o alerta.

Impressiona o movimento de barcos em todas as enseadas onde os vilarejos estão instalados e de onde se pode ter bem a noção das aldeias e vilas, como que esculpidas na montanha.

Amalfi, Positano e Sorrento são exemplos de cidades que gostaria de ter “vivido” de outra forma e que não tive tempo, porque o malvado do relógio é implacável.
Ficou um gostinho de, quem sabe, um dia voltar, num outro mês e poder saborear estas baías e recantos a meu modo, que bem merecem.

Chegados a Pompeia e ao nosso hotel, estava na hora dum bom banho e dum melhor almoço, para ganhar forças e podermos partir para as ruínas de Pompeia que, pelo que “sentimos” ao entrar em Pompeia actual, deve ser mesmo a única coisa que vale a pena visitar.

Pompeia vive literalmente das suas ruínas que, de facto, são um reviver dum cidade esplendorosa, incrivelmente sepultada por cinzas, juntamente com a cidade de Herculano, devido a uma enorme erupção do Vesúvio.
As cinzas mantiveram a cidade sepultada e inalterada, por cerca de 1600 anos, até ser descoberta no séc. XVIII.

As escavações arqueológicas continuam ao sabor das ajudas e subsídios, por um autentico batalhão de gente que se vislumbra, aqui e ali, por de trás dos taipais espalhados pela cidade.

A qualidade das suas ruínas e frescos impressiona, bem como a quantidade de turistas . Contudo, dada a sua dimensão, não é incomodativo.

Tivemos alguma sorte com o calor. O sol andava algo encoberto mas que não evitou mais de 2l de água durante as quase 4 horas que por lá andamos.
É uma visita cansativa…mas única.

Poder sentir a qualidade de vida daquela cidade, dos seus fóruns, jardins e teatros é algo que recordarei para sempre, sem poder deixar de mencionar o museu criado para a exposição e conservação de alguns corpos petrificados.

Ainda tivemos uma pequena réstia de força para, montados na minha Musa, darmos uma volta pela cidade, com a esperança de que a Pompeia actual, tivesse algo que valesse a pena.
Não passou de esperança…

Até breve já em Roma